terça-feira, 29 de outubro de 2013

No romper da aurora


Olhando o relógio,
no último minuto,
perguntei à derradeira hora:

— Por que são vãs todas as manhãs?

Ela respondeu:

— Para que acumulem, nos intervalos de tempo,
as queixas humanas enquanto os sonhos e desejos
vêm a caminho.

Alagadas e intransitáveis as sendas confluíram
como rios que não encontrando outro caminho deságuam no mar.

Um universo arrebatado de entusiasmo
transcende como o voo e o canto das aves
decifrando os segredos do crepúsculo da manhã.
Percorrendo em cada linha, redivivos avançam com lentidão de caracol.


José Lima Dias Júnior — 29.10.2013

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